quinta-feira, dezembro 22, 2005

Não quero!!!

Fiz um teste daqueles muito giros que deambulam na net, há os para averiguar se somos ou não homossexuais, aqueles há para saber se os nossos colegas estão ou não do lado da razão e somos verdadeiramente uns falhados, se somos computer geeks, se somos românticos, se somos sexualmente activos ou simplesmente vegetais, enfim, toda uma panóplia de testes que definem o verdadeiro ser de alguém...o que me calhou na rifa foi o "when will you die?", e confesso que não fiquei nada satisfeito com os resultados...
I am going to die at 82. When are you? Click here to find out!
82 anos?
82 ANOS?
Quero lá viver até aos 82 anos! Dispenso não poder andar livremente sem o uso de auxiliares de marcha, dispenso usar fraldas xxxxl para controlar não as pinguinhas mas as autênticas cataratas de urina e emissões elefantinas de esterco, dispenso não ter reflexos suficientemente rápidos para conduzir um carro, dar um passeio, dispenso a única hipotese de passeio disponibilizar-se sobre a forma de cruzeiro com iguais espécimens prestes a passar a data de validade, dispenso o ouvir cada vez pior e não poder escutar as minhas músicas, dispenso ficar acamado e completamente dependente de alguém, dispenso o único tipo de refeição ser em forma pastosa por já não possuir dentes suficientes e a placa magoar, e finalmente, dispenso não ter coordenação para jogar playstation 21 com os meus netos!
Resumindo...quero viver muito, mas não implica viver durante muito tempo...e a vocês? Até que idade? Eu já marquei na agenda....

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Superman!!!!!

Ao que parece, Brandon Routh (o actor que desempenha o papel do herói mais famoso de todos os tempos) tenciona levar o adjectivo "super" mesmo à letra...chegando ao ponto da Warner ter de recorrer a efeitos especiais para diminuir o tamanho do seu super..."membro do amor".

Lê-se num jornal britânico:
"É um grande problema para o estúdio. O Brandon é extremamente bem dotado e eles não querem aquilo no grande ecrã. Podemos ser forçados a apagá-lo através de efeitos especiais..."




É um pássaro? É um avião? É um tripé?

terça-feira, dezembro 20, 2005

Tudo pelo Guiness!!!

Sabrina Sabrok, a menina da foto abaixo, tem 29 aninhos e anseia por ver o seu nome no livro de recordes do Guiness..vai daí decidiu efectuar nova operação para aumento dos seios, a juntar às cerca de 20 injecções de silicone que por ali já foram administradas.
Esta modelo Argentina não pode primar pela inteligência, uma vez que é a própria a afirmar que os seus ENORMES SEIOS (quoting Nuno Markl) causam enormes dores na coluna...
A avaliar pela foto, pode ser que se safe....



Força Sabrina! Estamos contigo!

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Mimos..



A empregada da limpeza deixou-me no "besiché" uma daquelas tampas dos iogurtes danone com mensagens..."Tive de ir mas deixei-te mimos no frigorífico".
Tirando a parte de ser a empregada da limpeza a deixar o escrito, eu estar com uma mão algemada, haver penas por todo o lado e estar a dormir aconchegado a um senhor careca com barba e "Amílcarl" tatuado no braço direito, o que me espantou mesmo foi a quantidade de trabalhos a que esta mulher se submeteu para deixar mimos no frigorifico, mesmo mexendo-se pouco aposto que deram muita luta...

domingo, dezembro 18, 2005

Pensamento do dia..(de forma modesta)

Não sou perfeito naquilo que faço...faço muitas coisas e sou muito bom em todas elas...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Adeus Júlio de Matos, fair well...





Dia 30
(nota do editor: Devido à dimensão dos textos anteriores, vou tentar reduzir ao essencial)
Hoje foi dia de domicilios, ou seja, dia de administrar terapêutica depot, que, por outras palavras, é terapêutica com efeito prolongado que se administra a doentes que estão em casa e que por uma ou outra razão não se deslocam ao HJM...Por um momento, talvez derivado do cheiro que se fazia sentir na casa de uma das doentes (um misto de urina e ranço, com um travozinho a mofo) dei por mim a aguardar com expectativa a entrada de dois individuos com calções de cor berrante e luvas enfiadas nas mãos, na esperança de assistir a um combate de boxe, pois o penteado da referida senhora em tudo fazia lembrar Don King, o famoso agente de Tyson e afins.
Para quem está esquecido:


Ainda neste dia desloquei-me ao forum almada afim de mais uma aventura cinematográfica, desta feita um filme que me transmitiram como tendo um final inesperado..."Enquanto ai estiveres"...no final a moçoila morta-que-não-estava-morta-mas-sim-em-coma-e-por-isso-aparecia-como-um-espírito "Salta" do coma e fica junta com o moçoilo que a desperta do coma...para mim, na minha modesta e algo inocente opinião, um final inesperado neste tipo de filme seria se, na verdade, o moçoilo fosse um piáçaba e a morta-que-não-estava-morta-mas-sim-em-coma-e-por-isso-aparecia-como-um-espírito fosse na realidade uma doméstica do tempo da revolução Francesa...aqui sim, na minha (e, volto a referir, singela) opinião seria um final completamente inesperado, do qual sairia da sala certamente a dizer: "chiça, isto é que foi um final inesperado!"



Dia 32
Mais uma vez fui ao cinema com a minha colega de casa e tentei-lhe explicar, através das ocorrências, as pequenas coisinhas que fazem um homem sentir-se mais homem, tratando-se aqui o sentido de sentir-se mais esperto que os outros.
Na fila do cinema, forum almada, dezenas de pessoas na fila, quando o que basta é dirigir-se aos balcões das pipocas e pedir o bilhete pretendido. Vislumbrámos as crónicas de Nárnia (Resumido: o escritor era amigo do Tolkien, há fantasia,tá bem; leão morre, leão ressuscita; Crianças transformam-se em guerreiros experientes e assassinos; bons ganham, bruxa má perde; Reina a paz; Yupii) e no final tive a ideia de, sabendo de antemão que a colega ainda não tinha visto o Crime do Padre Amaro, quando terminasse o filme, irmos às casas de banho, aguentarmos um pouco e quando fosse hora do inicio da nova sessão entrarmos na sala e deliciarmo-nos com o filme (ver Soraia Chaves em tamanho gigante pela 2ª vez nunca fez mal a ninguém, certo?).
Obviamente resultou pois o controlo é pouco apertado.
Infelizmente a minha colega não compreendeu estas pequenas vitórias e passou a maior parte do filme a tremer, desconfiada, afirmando "eles têm de ter camaras aqui para controlar isto!" e a querer levantar-se e ir embora....mulheres....



Dia 34
Começa a contagem decrescente e os dias em que apetece fazer muito pouco pois já se pensa no regresso a casa...começam também os dias em que começo a pensar em mil e quatorze maneiras diferentes de assassinar violentamente a minha colega de casa...



Dia 35
Dia marcado pelo Senhor JS, um senhor muito apelativo que, peço perdão aos mais sensíveis, chega mesmo a tornar-se algo chato, uma vez que tentamos falar com outros doentes e ele chama-nos puxando a farda...alguns exemplos dos delírios (ou não, ou nao), deste senhor:
"Comecei no karate aos 3 anos, passei pela capoeira e agora estou no full contact. Mas estou proibido de lutar! Só posso levar nos cornos."

Relativamente a um programa sobre tsunamis que era transmitido na TV:
"Já apanhei ondas maiores que estas na Ericeira!" A prancha do campeão nacional de Surf? Tenho-a na sala a servir de mesa"
"Eu inventei uma fórmula para purificar a água, transformava água com lama em água potável, e enviei para as crianças que precisavam"

PS:Já comprei o relógio do benfica, aquele que me faz sentir um verdadeiro benfiquista...vai daí, já devo dinheiro a toda a gente e quando chego a casa é tudo varrido a murro e pontapé.



Dia 37(ÚLTIMO TURNO):
E chega ao fim mais uma etapa, onde muito se aprendeu e onde se tomou contacto com uma realidade totalmente diferente que só os que conhecem de perto sabem dar valor.
Foi feita a reunião com o professor e enfermeiros perceptores, nota final 16,3. Não é mau mas podia ser melhor.
No decorrer do turno, por volta das 10:00, a senhora E, uma senhora que desde o 1º dia de internamento sempre foi muito calma, muito adequada, sempre muito simpática e bem disposta, entrou na sala polivalente de braço dado com uma outra doente, enquanto olhava para cima e dizia "Anda cá baixo, anda" e esboçava um leve sorriso. Estando mesmo a seu lado, pensei que vinha na brincadeira com a outra doente...antes fosse. O "anda cá baixo" começou a repetir-se, fixando-se o seu olhar num ponto do tecto, aumentando de tom, enquanto a sua expressão facial mudava por completo. Ás tantas gritava "OH PAI! ANDA CÁ BAIXO! SEI QUE ESTÁS AÍ PAI! EU TOU-TE A VER! ELE ESTÁ ALI!ESTÁS AÍ PAI!OH PAI", enquanto repetia (principalmente) OH PAI! lançou-se ao chão e começou a rebolar sobre si própria por todo o salão, gritando, aliás, berrando...
Enquanto isso estavam 12 alunos de enfermagem, 1 psiquiatra, dois enfermeiros e vários doentes olhando, incrédulos, pois esta senhora ainda não tinha manifestado qualquer comportamento deste género. Eu e outras colegas auxiliámos o enfermeiro chefe a deitar a senhora na NOT(Núcleo Observação e Triagem), ficando "presa"(palavra forte, ok) à cama com cinto. Enquanto lhe colocávamos o dito cujo a senhora olhava para cima, dizendo: "Vês o que me estão a fazer? Estão a fazer o mesmo que fizeram ao teu filho!" Passado poucas horas já estava a pé a comprar rifas....


P.S.:
Relativamente ao comentário deixado no post anterior, que passo a citar:
"sobre foto e texto que escreveu sobre senhor de coruche. queria apenas informa-lo que finalmente foi internado e esta a fazer uma cura intensiva. Obrigado por publicar aquele assunto que foi determinante para que isso tivesse acontecido maria 12.04.05 - 1:35 pm "
Acreditem que fiquei com um sorriso nos lábios após ler este comentário, é muito, muito bom saber que fizemos alguma coisa "mexer", algo evoluir. Aqui ficam as minhas maiores felicidades para o senhor em questão e a certeza que ainda existem muitos na mesma situação e pior que necessitam de auxílio...
Post original:
http://estranhavida.blogspot.com/2005/09/misria.html

domingo, dezembro 04, 2005

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Crazy? Or just awake?





Dia 19

Hoje o "meu" doente teve alta, o tal doente que fiz referencia num post anterior que no primeiro dia de estágio estava agitadíssimo, muito desconfiado, muito agressivo. Sinceramente, era um doente do qual tinha algum medo, não fosse eu contrariá-lo nalgum aspecto e ele não achar muita piada.
Pois bem, apenas posso dizer que os antipsicóticos fazem maravilhas.
Ate aqui ainda não me tinha apercebido das implicações do uso de antipsióticos, não tinha parado para pensar sobre o que verdadeiramente fazem. Sei que, e de modo a não maçar muito, os antipsicóticos são usados para controlar alucinações, ideias delirantes, agitação e agressividade e que, para além de fazerem o "bem", são detentores de inúmeros efeitos secundários, entre eles boca seca, sedação, obstipação, retenção urinária, vista turva, náuseas, entre outros. Daí surgirem os antipsicóticos atípicos, ou de segunda geração, que, apra além de controlarem os problemas referidos, não são afectados por efeitos secundários em igual proporção que os antipsicóticos típicos.
Lições à parte, o senhor A, ao ter alta, despediu-se de mim com um abraço e disse que nunca se iria esquecer o que eu tinha feito por ele, tendo depois agradecido pelo mesmo.
Ao despedir-se, distribuiu beijos por todas as enfermeiras, especialmente as estagiárias, referindo "vou aproveitar agora que posso"...


Dia 20

Foi-me atribuido outro doente, o senhor PM, e confesso que, até agora, dos estágios que já passei, foi o doente que me "arrepiou" mais conversar, especialmente acerca do motivo que o levou ao Júlio de Matos.
Primeiro que tudo, uma nota introdutória, sempre acreditei no paranormal, tal como sempre fui x-files freak, motivo pelo qual ostento uma tatuagem com um dos originais crop-circles que surgiram antes de existir empresas para aí direccionadas.
Continuando, o senhor PM afirma que, de há dois meses para cá, a mulher (falecida há 4 anos) lhe paira sobre a cabeça, bem como o seu irmão e tios (todos falecidos), pedindo-lhe para ir ter com eles, lançando-lhe veneno continuamente, daí usar um lenço tapando-lhe o nariz e a boca. O seu diagnóstico actual é depressão psicótica.
Ao conversar com este senhor fiquei arrepiado e deu-me que pensar...até que ponto as alucinações são alucinações? Este senhor internou-se voluntariamente(!) porque ao ínicio ficou muito contente por ver a mulher mas depois apercebeu-se que ela lhe queria o mal. Até que ponto podemos traçar uma linha entre o normal e o patológico? O real e o delírio?


Dia 21

Hoje entrou uma senhora com um problema que todos temos, mas que muitos nem damos conta...perturbação obesssiva compulsiva. Quantos de nós não voltam para trás para verificar se a porta do carro está bem fechada, ou se as chaves não ficaram na porta de casa, ou se o fogão ficou ligado, ou o ferro? Esta senhora apresenta este comportamento a nível da limpeza, tendo de ser observada de perto na realização desta actividade. Neste dia, depois de escovar os dentes, pegou na toalha e começou a secar a boca...esfregou, esfregou, esfregou, até que um enfermeiro a interrompeu e lhe disse que já chegava, tendo a senhora retorquido "tenho comida na boca, estou só a limpar"...


Dia 22

Hoje falei novamente com o senhor PM e questionei-o acerca das suas "alucinações", informou-me que já não via a mulher, apenas ouvia, e apenas ao longe. Perguntei-lhe se se sentia confortável para retirar o lenço da cara, respondendo-me que era um pouco desconfiado...assim, combinei com ele para no dia seguinte, ao pequeno almoço, tentar retirar, a ver vamos...


Dia 23

Abordei o senhor PM ao pequeno almoço e perguntei-lhe como se sentia, disse-me que estava melhor, apenas ouvia a voz, muito distante. Fiz nova pergunta, referente à possibilidade de retirar o lenço da cara, sendo a resposta positiva, este senhor pouco fala, mas retirar o lenço foi suficiente para o ver esboçar um sorriso...
O dia de hoje foi, na sua maior parte, de compras para o serviço, o enfermeiro chefe abordou-nos e "pediu" para nos deslocarmos ao continente do vasco da gama para comprar árvores de natal para decorar o serviço. Fomos, comprámos, regressámos, vestimos a farda novamente...erro! O enfermeiro chefe abordou-nos novamente e informou que faltavam as luzes, toca a despir a farda e vestir "à civil" para uma incursão pelas lojas da especialidade de Alvalade, e aqui fica a minha crítica às lojas dos chineses desta zona...material natalício muito reduzido, bastante precária a variedade de enfeites e derivados "arvorescos". Daí termos visitado 5 lojas orientais e mais 3 ou 4 diversas, em busca dos enfeites de natal "just rights".
Ao voltarmos ao HJM, em plena Avenida do Brasil, quase no centro da dita, encontramos um dos doentes a vaguear, enquanto os carros atravessavam à velocidade normal para aquela avenida, ou seja, nada que se pareça com a velocidade dos carrinhos de choque da feira popular de sobral da adiça. Eu e a minha colega iamos dando em malucos(estas piadas....), chamámos por ele e levámo-lo para o pavilhão...ia apanhar um táxi e ia para casa. Ao mesmo tempo, uma doente também ela do serviço, tentava a sua fuga no portão "de trás". Doente essa com ideias suicidas e, curiosamente, tentava dirigir-se para a segunda circular...
Explicando, os dois tinham-se dirigido a outro pavilhão para uma entrevista de reabilitação, ao acabar, um enfermeiro disse para esperarem, um outro alguém colocou os doentes na rua porque "estava na hora do almoço". E se tivesse acontecido o pior? A responsabilidade?
Enfim, neste dia tive o meu primeiro acidente em Lisboa, NÃO PROVOCADO POR MIM! Uma marcha-atrás mal calculada por parte de uma senhora que terminou num pisca partido e na traseira de um rover "riscadinha", tendo ainda a senhora (muito simpática e justa) insinuado que eu é que tinha avançado com o carro...

Até dia 4 estou por casa, e volto para Lisboa apenas para voltar dia 13 ou 14...está quase no fim e ainda mal começou.
Abraços e beijos a todos(as) que me acompanham

terça-feira, novembro 22, 2005

Who decides my level of insanity?

Dia 9

Mais um turno recheado de pérolas do mundo psiquiátrico.
Começando por constatar os factos que se vão observando ao longo dos dias: muitos dos casos de tentativas de suicidio são relacionados com o casamento. Dou o exemplo de uma senhora que se sentia seguida pelo marido. Esta senhora usava tops curtos e um "cinto" e após uma semana de se juntar com o actual marido andava de gola alta e calças. Esta mesma senhora, com um filho ainda pequeno, refere que já não aguentava mais a constante perseguição por parte do marido e pergunta "porque é que me salvaram?". Dá que pensar, o nível de desespero a que uma pessoa pode chegar, ao ponto de querer tirar a própria vida, deixando para trás alguém que certamente sentirá a sua falta, um filho que a própria afirma ficar bem entregue com as suas irmãs...
Outra situação que observo, felizmente, não comigo mas com as minhas colegas, é o assédio constante por parte de alguns doentes. Confesso que, se fosse comigo, iria-me sentir lisonjeado e tal, um homem gosta sempre de ouvir um elogio por pate de uma mulher, mesmo que tenha os olhos semi-cerrados e se babe um bocado por causa da medicação. Mas compreendo o "terror" pelo qual as minhas colegas (especialmente uma, que faz os turnos comigo) passou nestes dias.
O M, doente esquizofrénico, mecânico de profissão(ou não), o tal jovem que referi no post anterior ter-se tentado suicidar por pensar que o amigo era o Diabo e ele Deus, cada vez que via a dita colega soltava um sorriso muito lascivo, até aqui tudo normal, ou quase...Certo dia:
M: "Olaaaaaaaaa!"
Colega: "olá"
M: "Tás tão bonita!"
Colega: "..."
M: "Dá-me um beijinho!"
Colega: "Não dou(com um sorriso meio falso, misturado com nervosismo)"
M: "Dá-me lá um beijinho!"
Colega: "Ó M, não dou, porque é que havia de dar?"
M: "Porque eu gosto de ti!"
Colega: "Pois mas eu não dou"
M: (olhando para mim com um ar algo raivoso): "mas a ele dás, que eu sei!"
Eu: "A mim? Ela tem namorado e eu conheço-o!"
M: "Tá bem, tá!"

Este foi um dos muitos diálogos alegres e vivaços relativamente ao dá-não-dá-beijinho que nos envolveu, sendo que sobrava sempre para mim porque, lá no fundo, o M sabia que ela me dava beijos a mim...


Dia 10

Hoje tive notícia de uma aproximação "especial" entre dois dos doentes internados. O que não sabia é que o elemento masculino desta aproximação, um senhor já internado algumas vezes, na altura do último internamento "amanhou-se" dentro do serviço, saindo do serviço com uma namorada nova. No presente momento, deixou a namorada no exterior, foi internado e não perdeu tempo...já arranjou um novo "amanhanço". Doido?

Agora mais a sério, o que os doentes nos dizem por várias vezes, especialmente quando os antipsicóticos começam a fazer efeito, acredito veemente que seja verdade. Frases como "fico pior cá dentro", "esta gente põe-me maluco" ou "isto é só malucos" fazem cada vez mais sentido.
Senão vejamos, uma pessoa que comece a apresentar-se mais orientada, mais calma, com um discurso coerente e coordenado começa a aperceber-se com mais clareza do que se passa à sua volta. E aí acredito que comecem a desesperar pois muitas das coisas que se observam são tudo menos normais...


Dia 13

Hoje lembrei-me de um episódio de Gato Fedorento.
O senhor G é um senhor muito desorientado, com ideias muito confusas. É um senhor de são Tomé e Príncipe que veio para Portugal para tratar a sua perna e por força das circunstâncias foi desaguar ao Hospital Júlio de Matos.
Cada vez que me via pedia-me um cigarro, apesar de lhe dizer a toda a hora que não fumava. Chegava a pedir-me um cigarro, dar a volta, voltar para trás porque se tinha perdido e "Chefe, arranja um cigarro".
Ao almoço pedia sempre vinho, respondia-lhe que vinho só verde(água del cano), umas vezes bebia e gostava, outras nem por isso.
Desconheço se este senhor conhecia a senhora minha mãe, mas o certo é que me perguntava muitas vezes "A sua mãe tá aí?"
No dia em que teve alta, depois de todos os dias afirmar que se queria ir embora e que o filho estava lá em baixo à sua espera (a todas as horas do dia) uma enfermeira pergunta-lhe:
enf: "Senhor G, está contente por se ir embora?"
Senhor G: "Mas eu vou para onde?"
...genial...

Uma curiosa curiosidade:
Senhor A: "Andei a vender laranjas porta a porta na altura das eleições, a fazer publicidade sem saber e o PSD ganhou, não pode ser coincidência!!!"


Dia 15

Diálogo entre um médico e um doente, que o questionou relativamente à terapêutica injectavel prescrita:
Médico: "Quer-se ir embora?"
JC: "quero"
Médico: "Tem de levar as injecções"
JC: "Isso é uma ameaça???"
Médico: "Por acaso, até é."
JC: "Então está bem"


Present time:
Por casa durante 3 dias, merecidos!!!
Ontem vi a sequela de Deuce Bigalow e, sinceramente, não gostei nem um bocado. Já esperava pouco de Rob Schneider, mas algo tão mau, esperava esboçar alguns sorrisos, tal como no 1º filme. Piadas batidissimas, diálogo sem nexo, diálogo sem piada, nada de novo, tudo de mau. Desaconselho.

Para terminar, algo que me arrepia por completo e me faz ponderar seriamente o internamento voluntário no Hospital no qual me encontro a estagiar, Júlio de Matos de seu nome...o penteado mundialmente conhecido como "mullet", do qual falei num post ainda nas férias, que, em Benidorm era o expoente máximo do engate, está a chegar a Portugal. Começo cada vez mais a ver espécimens a usar o cabelo desta maneira, e ao mesmo tempo que sou invadido por sentimentos de raiva e agressividade, sobe-me sempre à boca um bocado do almoço ou jantar, conforme a hora do dia...por isso, aqui fica um aviso: ESSA MERDA USOU-SE NOS ESTADOS UNIDOS NOS ANOS 80! E MESMO AÍ NUNCA FOI FASHION! Mesmo que cortem o cabelinho à "foda-se" ou à "mete nojo" é aceitavel...mullet é muito, muito mau!

domingo, novembro 13, 2005

Gay animals?

Pergunto eu, qual será o interesse de alguém em ver um programa intitulado "a homossexualidade no mundo animal"?
Não chega já o bombardeio de programas abichanados na Televisão pública? Será necessário um canal conotado de grande qualidade histórica e documental como o national geographic transmitir um programa sobre a homossexualidade no mundo animal? Será que interessa a alguém como é que o porco espinho engata outro porco espinho? Ou como será a dança de sedução de um rinoceronte para um outro rinoceronte? Ou quais os tiques abichanados do leão quando tenta conquistar aquele amigo de infância com quem aprendeu a caçar?



Strange world we live in...

sexta-feira, novembro 11, 2005

Psiquiatria...

Dia 1


Depois de dormir não muito confortavelmente num anexo de um sofá onde mal cabia, era chegada a hora de carregar o automóvel com malas e pertences descarregados há apenas um dia. Explico porquê…só conseguimos (eu e a minha colega) arranjar casa em cima da hora, e apenas podíamos entrar dia 7. Assim, e tendo em conta que tínhamos de nos apresentar às 10 da manhã no serviço, o local disponível para pernoitar foi a habitação da prima da minha actual colega de casa, em Rio de Mouro, perto de Sintra, o que faz com que no dia D (novamente D de estágio), após ouvir falar muito sobre o famoso IC19, tive o prazer de o vivenciar na pele…mas, ao que parece, não foi dos dias piores, felizmente.
Ainda não sei bem como, mas certo é que fomos “desaguar” mesmo ao lado do Parque da Saúde de Lisboa e estacionei o carro no interior, carro esse mais cheio de malas que um toxicodependente de comichões quando está a ressacar.
Depois das apresentações iniciais e da “voltinha de reconhecimento”, juntamente com os alunos da escola de Santarém, visitámos o serviço no qual iremos estagiar, clínica psiquiátrica IV, situado num 1º andar de um dos muitos pavilhões que constituem este parque. Passava pouco tempo depois de entrarmos no serviço quando demos conta do reboliço a desenvolver-se à nossa volta, imediatamente a enfermeira que estava a fazer de nossa guia agarra-me pelo braço e olhando para a uma das minhas colegas diz “vocês vêm comigo”…um doente tinha fugido. Felizmente já estava uma das enfermeiras do serviço junto dele, não tendo este tido tempo para se “esgueirar” pela porta da frente.
À medida que voltávamos para o serviço só uma coisa me passava pela cabeça, uma coisa que já sabia mas que há medida que me cruzava com pessoas que se deslocavam no sentido contrário se enraizava ainda mais, coisa essa que se tornou numa certeza confirmada…isto é só gente maluca.



Dia 2


Primeiro que tudo, começo por dizer que jogar matraquilhos com doentes psiquiátricos é uma experiência surreal…
Muitos filmes há que retratam manicómios e asilos, e sempre que via um desses filmes pensava “isto não é assim, os actores estão a exagerar”, pois bem, agora estou em perfeitas condições de afirmar, e apenas passado um dia de estágio, que não só é assim como é muito pior que nos filmes. Estar a observar estes doentes, ver as suas atitudes e reacções aos mais diversos e insignificantes estímulos é algo que faz pensar e muito, afinal, trata-se de uma doença…e tal como muitas doenças existentes, pode acontecer a todos.
Faço agora uma breve descrição do serviço no qual me encontro, clínica psiquiátrica IV, pavilhão 21b, 1º andar. À semelhança de outros pavilhões é similar a uma estrela, em que os raios são as unidades dos doentes, ou seja, os quartos. O centro da estrela é um pátio que não é frequentando, sendo rodeado por um corredor por onde os doentes deambulam, com bancos e televisores. E foi nesse corredor que um dos doentes nos pediu um cigarro, ao qual replicámos que não tínhamos e que isso fazia mal…o doente (um jovem de 25 anos que tirou o curso de gestão de empresas em Londres e “fritou” por causa da droga) aproximou-se e ficou a uma distância socialmente não muito aceitável, começando a dizer num tom de voz baixo e linear “Sabia que daqui a um ano todas as células do seu corpo de regeneram? Todas são novas?” isto enquanto outro doente dizia “tá em directo” e escrevia com a mão, sem tinta, na parede…
Um doente que me surpreendeu foi o M, um doente que me pareceu em tudo normal, jogou às cartas connosco e falou calmamente connosco, ao ponto de perguntar “o que é que será que ele tem?”, a resposta viria logo depois. O M olhou lá para fora e viu que o tempo estava a começar a ficar enublado, logo dizendo “isto tá a ficar assim mas não chove! Eu sei porque eu mando a chuva! A seca que houve no Alentejo foi porque eu quis, e só choveu agora porque fizeram uma bruxaria, porque aqueles cabrões não merecem nada”. Se a partir desta conversa já sabia uma razão do internamento, a grande causa viria logo a seguir: “Eu tava na casa de um amigo, tínhamos tado a fumar uns charros e a beber whisky, só que ele não era boa pessoa porque se metia noutras drogas. E eu nessa noite pensava que o mundo ia acabar, e pensei que ele era o Diabo e eu era Deus, como ele tinha fechado a porta à chave, pensei que ele me ia fazer mal, e mandei-me do 2º andar.”…



Dia 4


Primeira tarde que fiz, o que assusta um pouco visto que às 17:00 já começa a ficar de noite e sinceramente, aquele serviço assusta, especialmente hoje, que os doentes parece que ficaram um pouco mais nervosos e exigentes, seja pelo tabaco (causa de grandes discussões), seja por quererem sair dali por já não aguentarem estar com gente maluca, seja por quererem assinar o termo de responsabilidade…
Assistir, sem participar, nas conversas entre estes doentes dá no mínimo que pensar…
Doente 1-Porque é que pensas que as baleias dão à costa?
Doente 2-Não gosto de casacos que se incendeiam facilmente, aqueles que basta juntar o isqueiro e ardem logo todos.
D1-Mas para isso serve o alarme de incêndio, começa a apitar e tu acordas.
D2-Mas tinha de ser daqueles que deita água!
D1-Pois, aquilo apita e começa a deitar água.
D2-Mas e se aquilo está viciado por alguém e em vez de deitar água deita álcool?
Conversas destas são constantes e esta não é das mais surrealista, muitas há que não me consigo conter e tenho de sair da sala para me rir, é incontrolável. Hoje por exemplo, vi um dos doentes a chegar ao pé da televisão e mudar de canais do 1 até ao 59…quando só os primeiros 4 é que estavam sintonizados. O mesmo doente sentou-se num cadeirão e começou a conduzir um carro com movimentos muito rápidos, alternando com investidas violentas nos abdominais...

domingo, novembro 06, 2005

quick update...

Pediatria já lá foi, nota final dada pela enfermeira 17.76.
Amanhã começa uma nova jornada, uma nova etapa, desta feita no Hospital Júlio de Matos...
Vemo-nos por lisboa e pelos cinemas alvaláxia, dos quais sei que serei um cliente assíduo...até à próxima actualização, continuem a postar muito.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Soraia Chaves..

Dia 35:

Fiz manhã e saí decidido a ir ver a nova estreia portuguesa "O crime do padre amaro", tinha visto o trailer e tinha-me agradado bastante. Directo para o forúm almada, comprar o bilhete, pipocas e pepsi (acto religioso no que toca a idas ao cinema) e ficar, logo à entrada na sala de cinema, espantado pela quantidade de cinéfilos presentes para vislumbrar um filme português, agradou-me bastante ver a adesão do público a este filme.
De modo resumido, gostei muito do filme, gostei do argumento, gostei da realização e gostei do vasto leque de actores que faziam a sua aparição, mesmo que na maior parte das vezes muito curta.
Achei simplesmente genial Rui Unas, Diogo Morgado e Ricardo Pereira a fazerem de bichas. Visto que agora está na moda, ficou um elemento cómico agradavel de se ver.
Mas a grande surpresa surgiu no papel feminino principal:


Soraia Chaves de seu nome, deslumbrou-me com a sua sensualidade transbordante do ecrã. Na maior parte de filmes que vemos, as grandes produções de Hollywood, somos bombardeados com actrizes plásticas, sem sensualidade, que apenas cativam pelo corpo que lhes foi fabricado a troco de muitos e muitos dólares.
Nada a ver com esta actriz, na sua primeira experiência cinematográfica. Tendo em conta o papel que lhe foi destinado, safou-se e muito bem, visto fazer muitas cenas de nús...cenas essas muito ao nível das grandes produções lá de fora. É uma mulher sexy, bonita e com grande potencial e aqui ficam os parabéns da gerência do estranha vida aos directores de casting.
Voltando ao filme em si, mostra uma imagem da igreja que muitos desconfiamos mas poucos sabem a realidade. Sinceramente, achei G-E-N-I-A-L o modo como retratam a igreja, padres corruptos, padres pedófilos, padres que desviam os donativos da igreja para outras "actividades", padres que engravidam as paroquianas e "sugerem" o aborto.
O filme contrasta a beleza de Lisboa com a pobreza e marginalidade de alguns bairros. Já ouvi críticas negativas por ser uma imagem previsivel de Lisboa, e não percebo. Queriam imagens de Lisboa quê? Queriam imagens das festas VIP´s que se realizam na capital e arredores? Queriam imagens do nosso jet-sete? Não meus amigos, fizeram muito bem em retratar a realidade como ela é! A marginalidade está enraizada na sociedade actual, em constante crescimento e expansão.
Enfim, o filme está muito bom na minha opinião.
Dou-lhe um 8 de 0 a 10, subindo para 9 devido à presença da bela Soraia.


Dia 36:

Dia de avaliação. As professoras chegaram por volta das 15:00 e o nível de nervosismo ondulava mais que as carpas quando sobem o rio para desovar.
Resumidamente: A enfermeira deu-me 17,76 de nota final, cabendo agora às professoras da escola a nota definitiva. Falta um turno apenas, uma manhã no dia 3 e pronto, acaba-se a pediatria e ficam para trás as nossas criancinhas.
Dia 7 começa a jornada correspondente à Psiquiatria, uma nova etapa me aguarda...bem como novos cinemas, o Alvaláxia está mesmo ali ao lado.
Curiosidade: Ainda não temos casa....




P.S: Se já era uma certeza cada vez mais confirmada, esta é para aqueles que ainda questionavam a hipotese de Herman José ser ou não mais um membro da equipa esquadrão G...preparados?
Aqui vai....enganou-se no nome de Soraia Chaves quando falava sobre ela...ui. Para mim é mais grave do que ser apanhado numa casa de banho pública a brincar aos comboios com 3 amigos intímos, ou mais, fatos completos de latex apenas com buracos nas zonas intímas anteriores e posteriores, correntes, aquelas bolas vermelhas para atafulhar a boca, chicotes, cacetetes....estou nauseado.

sábado, outubro 29, 2005

Aproxima-se o fim desta etapa...

Dia 27 e 28

Fiz tarde nos dois dias. Fiquei com outra criança, que deu entrada no serviço com o diagnóstico de anca dolorosa à esquerda com suspeita de Sinusite reactiva da anca esquerda. Sendo o problema já de si complexo, viria-se a desenvolver um outro, potencialmente mais grave. Começou por apresentar uma maceração vulvar com corrimento esbranquiçado e espesso, apresentando uma lesão esbranquiçada no lábio direito, referindo grande ardor ao urinar. A suspeita inicial recaiu sobre herpes genital, e até agora ainda não há diagnóstico concreto…o certo é que as lesões evoluíram e uma delas apresenta-se agora como tecido necrosado…a ver vamos o desfecho.
Deu entrada no serviço uma criança com 2 meses, não apresentando qualquer doença, tratava-se sim, de um caso social. A mãe da dita criança foi a casa de uma amiga e informou que demorava apenas uma hora, tinha assuntos para tratar. Passou uma hora, duas, três, um dia inteiro…resumidamente: a mãe é alcoólica e tem já 7 filhos, e ao que parece não é a primeira vez que esta situação ocorre, daí a amiga levar a criança à polícia, que já conhecia os antecedentes da progenitora e levou a criança para a casa da sua avó, que por sua vez a levou para o hospital…e desapareceu. Temo pelo futuro desta pequena…

Dei um saltinho à santa terrinha para uma festa de aniversário no mínimo…interessante. Passo a explicar: dum lado o 1º aniversariante, a fazer 20 anos se não me engano, a frequentar o curso de arquitectura, na onda do “se bem” e “paz e amor”, do outro a aniversariante, a fazer 14 ou 15 anos, betinha com um niquinho de rebelde morangos com açucar style, não é das piores, piores mesmo eram as convidadas…E era nos convidados que a essência da festa tresandava a morangos com açúcar…betinhas pop-chungas com mais maquilhagem que o Castelo Branco e Betty Grafstein juntas, mas aqui com 14 anos. Crianças mais pequenas que Marques Mendes a cair para o lado tal não era o nível de álcool presente nas veias, mas ainda havia capacidade para ter um cigarro acesso na mão livre, uma vez que a outra segurava alegremente num copo de imperial, ora cheio, ora vazio…
Resumidamente: desde um incidente com o quadro eléctrico que cortou os semáforos da avenida, passando pelas mais diversas tristezas que observei…foi uma noite curiosa.




Dia 30

Se já pouco ou nada gostava de Setúbal, agora então o meu sentimento por esta terra é nulo, podendo em determinados dias atingir picos negativos. Muito me falaram da criminalidade que assola esta cidade, mas uma das colegas que faz estágio comigo assegurava-me que era tudo mito, que as coisas não eram bem assim...pois não...
O namorado de uma das colegas que divide casa comigo veio visitá-la durante um dia, estacionou o seu automóvel ao lado do prédio onde estamos, praticamente na avenida principal, numa transversal logo ao ínicio...até aí tudo bem...o pior foi quando voltou para o automóvel e encontrou apenas o lugar vazio. Se já antes de dormir pensava na saúde e bem estar do meu querido y10, agora então...o que é certo é que nessa noite não consegui dormir. Até à data o carro não apareceu.

Relativamente à pequena com as ulcerações vulvares, diagnosticaram, por enquanto, uma doença rara com o nome de doença de Bechet, que se caracteriza por uma desordem multisistémica descrita como ulcerações orais e genitais, sendo pouco comum nas crianças, onde estão diagnosticados apenas 5% dos casos. A sua etiologia é desconhecida.
Entretanto, a pequena teve alta por o seu estado clinico se encontrar melhorado, sem ardor e dor ao urinar e sem picos febris. Relativamente às ulcerações gostava de saber como se encontravam no momento da alta mas até ao momento ninguém me soube informar.


Dia 33

Fiz noite e após sair vim directo para a santa terrinha. Por cá fico dois dias, o estágio está praticamente no fim, faltam 4 turnos, uma manhã, uma tarde, uma noite e uma manhã...estou quase a chegar à psiquiatria...apesar de ainda não ter casa...

Recebi no e-mail um documento que lia algo como: "Olá sou a sarah..." e ao longo do documento contava como o pai batia na sarah e a acusava de tudo o que se passava de mal e no final a sarah diz que o pai a matou, depois somos afrontados com "Faz passar estes poemas porque mesmo se isto parece doido pode talvez mudar indirectamente as nossas vidas. Hey, nunca se sabe.Por favor, faz passar isto se fores contra o abuso das crianças!" e é aqui que tenho de comentar, em vez de perderem tempo a enviar e-mails para "sensibilizar", se virem ou conhecerem algum caso de abuso infantil, por minusculo que pareça, contactem as autoridades competentes...não é a enviar e-mails que os pais vão deixar de abusar dos filhos, não é a enviar e-mails que estes pais vão pensar "Se calhar não estou a agir bem com a minha filha". Não vou dizer que são pessoas doentes, digo sim que são monstros e necessitam de ser travados.

terça-feira, outubro 18, 2005

And the story goes on...

Dia 20

Fiz manhã e assisti a duas cirurgias, a saber, fimose e criptorquídea esquerda.
Vamos por partes, a fimose é a incapacidade em expor completamente a glande, é uma situação que se resolve com o tempo, através do acompanhamento médico e dos pais, que em casa, no banho, vão esticando a pele à criança, possibilitando a exposição da glande ao mundo cá fora. Em casos mais graves e por falta de acompanhamento apropriado pelos pais torna-se problemática a não retracção da pele, podendo originar infecções na glande e prepúcio.
A criptorquídea ou testiculo não descido ocorre quando o testículo não desce até à bolsa testicular onde é normal a sua presença e fica na zona inguinal. A cirurgia aqui não resultou num pleno, visto que o testículo não descido se encontrava atrofiado, vendo-se o cirurgião forçado a extraí-lo...testículeta? Existe?
Ao ver as cirurgias confesso que a fimose me provocou alguns suores frios(e quentes já que penso nisso) pois imaginei apenas a minha pessoa, deitado na mesa de operações, a fazerem-me o que estava a ver...confesso que procurei um banco para me sentar um pouco pois já estava a começar a sentir-me mal...Lá me passaram os pensamentos auto-destrutivos e a "festa do bisturi" continuou...


P.s. neste dia: Porto 0-2 Benfica....não digo nada, nem me manifesto, digo só que ganhou a equipa melhor, mas ainda falta muito campeonato.
P.s.2 neste dia: Parece que as constipações chegaram em força, e não digo isto por o serviço encher de um dia para o outro com meninos a pingar e cheios de febre, tenho como base os jogos de futebol do nosso campeonato...para onde quer que se olhe num jogo de porto ou sporting, lenços brancos por todo o lado, qual nossa senhora de Fátima.
E o que mais me irritou foram mesmo os lenços neste Porto-Benfica, sinceramente, até parece que a equipa portista foi vencida pelo último classificado da 3ª divisão regional do uganda e que merecia ganhar...



Dia 22
Hoje aventurei-me por Lisboa em busca de uma casa com 2 quartos para mim próprio e outra colega, e aqui fica o aviso: PROCURO CASA COM 2 QUARTOS, COZINHA E WC COM ESQUENTADOR DURANTE 1 MÊS E MEIO!
E explico o porquê desta busca, dia 4 de Novembro inicia-se o estágio de Psiquiatria, no Hospital Júlio de Matos, que será frequentado por mim e 3 colegas, sendo que uma delas parte de e volta todos os dias para Setúbal (www.pegadas-na-areia.blogspot.com) e outra reside em Santo António dos cavaleiros, ficando eu e a outra colega, basicamente, na merda, porque vejo o aluguer de uma casa por um mês e meio muito complicado...E aqui fica a minha nota de descontentamento para com a escola de enfermagem, se pagamos quase 600€ por semestre, o mínimo que podiam fazer, já que nos mandam para fora, era ter um acordo com alguma residência ali perto, ou os € que os meus pais desembolsam serve apenas para fazer obras na escola, todos os anos?
Enfim, revoltas e contestações à parte, andei pela cidade universitária, na faculdade de direito e na faculdade de línguas, vasculhando por entre o dossier que me forneceram na f.línguas pois os rapazinhos da AE da faculdade de direito pouco sabiam da localização das coisas...
Amanhã será um dia cheio de telefonemas e onde provavelmente a frase "Não está disponível" ecoará por entre o meu pavilhão auricular, vamos lá a desejar-me sorte e se alguém sabe de uma casa disponível não hesite em comunicar comigo através dos comentários pois o e-mail é tantas vezes utilizado como as partes fudengas da Betty Graffstein...


Dia 23; 24; 25
Estou por casa, faltei a uma noite por motivos de força maior e até dia 20 de Outubro fico-me pela santa terrinha.

Coisas que me fizeram pensar ao longo da última semana:
Li na visão que a China irá em breve comercializar automóveis das marcas cherry e gelly que custam 4182€...e pensei para o meu fecho-eclair, visto não ter botões:
Será que daqui a um ano, quando entrarmos numa das dezenas de lojas dos chineses lá do bairro, ao lado das fontes que ejaculam água numa tentativa frustrada de acalmar o ambiente, e por cima das espadas samurais carregadinhas de ferrugem que ao mínimo contacto com a pele provocam uma panóplia de doenças, algumas delas ainda nem conhecidas, vamos encontrar um stand de automóveis gelly e cherry...


Mais aventuras nos próximos dias...

sexta-feira, outubro 14, 2005

Onde isto já vai...

Leiam a notícia e tirem as vossas próprias conclusões...defensores dos americonas são benvindos a comentar...

http://www.abcnews.go.com/WNT/Health/story?id=708780


...

quarta-feira, outubro 12, 2005

Dias seguintes...

Dia 5

Descanso merecido descanso


Dia 8


Noite movimentada esta, tudo graças às dores abdominais intensas do pequeno M.A.
Parto do princípio que todos conhecem ou pelo menos já ouviram falar da expressão toque rectal, pois bem, no caso do pequeno MA foi necessário pois encontrava-se sem defecar há 3 dias e desconfiava-se da presença de fecalomas, facto felizmente não confirmado. E, foi na observação deste exame, que ouvi o grito mais estridente que alguma vez ecoou pelo meu pavilhão auricular e chegou a fazer comichão na amígdala, tal não era o sofrimento do pobre coitado.
Nota pessoal: aos 40, quando for a altura do toque rectal para despiste do cancro da próstata das duas uma, ou beber muito, muito álcool para sentir muito pouco e quiçá, apreciar o momento ou……nem sei bem qual é a maneira de fazer este exame parecer menos mau.
Saí de noite e fui directo para a santa terrinha para fazer uma surpresa a minha mais que tudo, espero que tenha valido a pena, para mim valeu e muito.


Dia 10


Fiz manha, e foi-me atribuído outro doente, uma pequena com o diagnóstico de pielonefrite no rim direito, o que não seria tão grave se não fosse o facto de o rim esquerdo já não existir pois teve de ser retirado devido a ocorrência de refluxo, trocado por miúdos, o que ia para baixo, voltava para cima. Sendo portanto o rim direito a efectuar o dobro do trabalho.
Conversei e brinquei com os meus doentinhos e finalmente comecei a gostar mais do estágio, que ate aqui não me estava a seduzir muito.



Dia 11


De novo observei a enorme dificuldade por parte dos enfermeiros para puncionar veias para acesso venoso periférico. Quer seja por ser finas ou “bailarinas”, puncionar crianças está a revelar-se um dos procedimentos mais complicados a efectuar relativo a parte da enfermagem. É penoso não só para as crianças mas também para os enfermeiros que vêem as suas tentativas frustradas e o sofrimento da criança e dos familiares durante o procedimento…



Dia 17;18;19

Dia de eleições e de reflectir, obviamente, no estado da nação.
Fátima Felgueiras vence a corrida apelando ao slogan sempre presente, apesar de estar refugiada no Brasil foragida à polícia durante 2 anos. Volta a Portugal na altura ideal, o tribunal como que por pozinhos de perlimpimpim esquece o porquê dos 2 anos de perseguição e vai daí, apresenta-se como candidata independente sempre presente, com novo look e novo bronzeado…e consegue ser eleita…vou rezar ao senhor Buda para que este terrível, terrível erro das gentes de Felgueiras seja devido a qualquer contaminação das águas ou do ar que afecte apenas aquela zona e que tem como consequência não reconhecer pessoas que aparecem bronzeadas e com Botox espalhado pela cara…não quero acreditar que o povo de Felgueiras é tão mentecapto….mas quem sou eu para julgar alguém? É com os erros que se aprende…outra vez.
Estando enganado aguardo então a reentrada do Padre Frederico no nosso País para destituir do cargo o cardeal Policarpo e também por Carlos Silvino, ou Bibi para os mais chegados, ser perdoado pelos tribunais e ser nomeado o novo director da Casa Pia…




Present time:

Por meus nobres e humildes aposentos deambulo durante 3 dias, tudo graças à greve convocada pelo sindicato dos enfermeiros, e, vejo-me compelido a escrever sobre um artigo que meus olhos vislumbraram numa revista feminina da especialidade, seja ela qual for, da qual não informarei acerca do nome, pois os directores da cosmopolitan não gostam de ver o seu nome associado com blogs de 2986ª categoria....
Os meus olhos prenderam-se com um artigo genial, escrito por alguém também ela genial, apenas emendo alguns dos sinais, no que se refere ao texto "10 sinais que ele está louco por si":

"Reunir fotos de bebé dos dois e usar o photoshop para ver como serão os filhos"--> ok, grande problema aqui, só o facto de ter paciência e disponibilidade para fazer o descrito revela não estar louco por si, revela sim, estar louco, ponto final.(<-este)

"Veste a t-shirt dos rolling stones para lavar o carro dela ao domingo" --> aqui não é louco por si, é simplesmente estúpido e mentecapto, especialmente se for aquelas t-shirts do merchandise oficial da banda, que se vendem apenas no dia de concerto, e que custam a módica quantia de, no mínimo 35 euros...

E vou à deita...

sábado, outubro 01, 2005

Primeiros dias...

Deixo agora online o diário que tenho dedilhado todos os dias no computador portátil sem internet que me acompanha, visto ter agora oportunidade para aceder à internet através da casa de uma colega, aqui ficam os primeiros dias:

Dia 1

Eis chegado ao fim o primeiro dia em Setúbal e, tendo em conta que o estágio propriamente dito só se inicia amanhã, opto por informar os leitores que me acompanham através da Internet acerca da casa na qual eu e outras duas colegas de turma nos encontramos actualmente hospedados durante este mês e meio.
Tudo nela me assusta, e devo explicar à partida que não se trata de uma casa normal de aluguer, trata-se sim de uma casa de férias de um casal idoso, emigrante em França. E como viemos aqui parar, pergunta o leitor mais exigente? Negócios de uma colega natural desta cidade, amigos de amigos, etc, etc.
Pois bem, Jesus está em todo o lado, dado adquirido pela doutrina da igreja católica romana, ensinado ano após ano, desde a crucificação e suposta ressurreição de Jesus. Todos o sabemos, especialmente aquelas velhotas que se queixam de todas e mais algumas doenças mas lá conseguem encontrar forças para se levantar por volta das 6:30 da manhã para ao bater do sino das 7 estarem preparadas para ouvir o sermão. E isto a um domingo!!
Mas nesta casa talvez tenham levado demasiado à letra o conceito de estar em todo o lado, literalmente…
Para onde quer que se olhe, lá está ele, quer seja em quadro, bordado ou em estátua, para além do famoso crucifixo, como não podia deixar de ser.
Não é só Jesus que povoa as paredes desta casa, bordados vários, desde animais a paisagens, sendo o ex-libris um bordado sobre a ombreira da casa de banho representando nada mais nada menos que esse monstro da música nacional Francesa, Claude Francois….
À parte tudo isto, informo também que, a partir destes aposentos até ao famoso bairro da bela vista são uns longos 5 minutos a pé (!), o que é, desde já, genial!



Dia 2

A alvorada soou por volta das 9 da matina, aproximava-se a hora D, D de estágio.
O nervosismo era tremendo, os picos de adrenalina eram equiparáveis ao esfíncter anal do Castelo Branco, por outras palavras…oscilantes. Tudo derivado do trauma que já desenvolvi num outro post, mais antigo, referente a me sentir injustiçado ao máximo no último estágio que efectuei…quem me conhece sabe quem culpo e quem sabe melhor o assunto sabe o que ocorreu verdadeiramente…
Chegamos ao hospital de São Bernardo por volta das 10 da manhã, dirigimo-nos ao 5º piso, o enfermeiro chefe não estava, esperámos, tensão a aumentar, chegou, falou, acalmou e convenceu, à primeira vista parece ser um profissional extremamente dedicado e a nível pessoal conseguiu pôr-nos à vontade.
Conhecemos o serviço e logo soubemos de dois casos mais sérios, um jovem de 15 anos com suspeita de HIV e um bebé de 5 meses com suspeita de maus-tratos. E neste caso de maus-tratos, a confirmarem-se, como esperam que trate os pais desta criança quando o que me apetece é fazer a eles o que fizeram a um BEBÉ sem possibilidade de se defender, mas a multiplicar por um nº nada generoso? Penso que será esta a minha maior dificuldade relativa à pediatria, não as técnicas ou as patologias, isso estuda-se. Grande parte da minha verdadeira aprendizagem será desenvolvida no relacionamento com este tipo de monstros, à falta de palavras piores.
Sendo o enfermeiro chefe do serviço não só de pediatria mas também de neonatologia, visitámos este serviço onde encontrámos “coisinhas pequeninas” apenas semelhantes aos famosos “nenucos”, mas aqui em versão mini.


Dia 3
Ontem li até às 3 da matina as partes essenciais da matéria de pediatria, hoje acordei mais cedo para ler a parte referente às patologias. Chegámos ao serviço e fardámo-nos, e a partir daí esperámos e sentimo-nos ignorados por toda a gente enquanto não chegava a passagem de turno.



Dia 4

Hoje fiz manhã no serviço de neonatologia, destinado aos recém-nascidos com problemas após o parto, quer sejam problemas respiratórios, partos prematuros, filhos de toxicodependentes ou casos de infecções no parto.
Embalei e acalmei dos bebés com HIV+ o que me revoltou severamente, pois tratam-se de crianças que, ao contrário dos pais, não tiveram hipótese de escolha acerca do seu futuro, ficando este praticamente selado a partir do momento em que são retirados do ventre que os “protegia” do mundo exterior.
Nascem condenados, é injusto, entristece e revolta…


Mais está para vir...

segunda-feira, setembro 26, 2005

É já amanha...

..que sei o meu horário de estágio, a começar na 3ª feira da presente semana que se inicia. Pois é colegas blogueiros, enquanto Herman José apresenta o videoclip da música mais cantarolada pelas nossas peixeiras espalhadas por este Portugal fora( ..."és tão boa") organizo meus pertences e preparo-me para a transferência para a bela e perigosa( apesar de me tentarem convencer do contrário) cidade de Setúbal.
Se algum ou alguma colega blogueira se encontrar perto desta área geográfica não hesite em visitar-me no serviço de pediatria do Hospital de São Bernardo durante o próximo mês e meio, findo o qual me transfiro para o Hospital Psiquiátrico Júlio de Matos para estágio de psiquiatria.
Tentarei actualizar o blog quando houver folgas que me permitam visitar a santa terrinha, pois fins de semana não vou saber o que são durante estes meses de estágio...

Enfim, summer is gone, as férias também, recomeça a "magia"...

sábado, setembro 24, 2005

Disco night fever...

Quinta feira de estudante universitário na terrinha implica ida à discoteca mais badalada da zona, talvez por ser a única. Talvez.
A qualidade é tal que para muitos a frequência do dito local é apenas suportada depois de 3 copos de vodka limão, bem aviados no que diz respeito à percentagem de vodka.
Já falei num post anterior sobre as minhas deambulações pela vida discotecal, mas, nesta ida em particular, algo ou alguem me despertou a atenção ao mesmo tempo que me provocava vómitos incontroláveis.
Pergunto eu, o que leva um jovem nos seus 25-30 anos, a ir sozinho para uma discoteca, com uma camisa aberta quase até ao umbigo a mostrar o bonito colar de ouro, em que a dança se assemelha a um rito de acasalamento do porco da guiné, cego, homossexual e com doenças venéreas?
Lembro, ao deparar-me com este epécimen, de não conseguir pronunciar sons durante alguns segundos, até me aperceber da realidade que me rodeava....e depois não me lembro de mais nada.